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Personalidade 14 - Thiago Ferreira
Por:
Denis
Ribeiro Patrocinio - Ginásticas.com
É
inegável o sucesso dos atletas brasileiros de Ginástica Aeróbica
em todo o mundo. Com altíssimo nível técnico, coreografias
empolgantes e muito originais, o Brasil já esteve no lugar
mais alto do pódio muitas vezes e faz escola nesta modalidade
em muitos lugares deste planeta.
E,
por mais intrigante que pareça, só não fazemos escola aqui
mesmo no Brasil.
Carentes
de atenção, incentivos e investimentos, os atletas da ginástica
aeróbica esportiva no Brasil que ainda persistem juntamente
com seus técnicos, travam uma dura batalha pelo
reconhecimento da grande massa (grande público, organizadores
de eventos, entidades responsáveis pela ginástica,
patrocinadores) a este esporte de beleza ímpar.
Particularmente
falando, dentre todos os atletas das modalidades de ginástica
já entrevistados aqui no ‘Ginásticas.com’ para essa seção
‘Personalidade’, despertam-me especial atenção
justamente os da Ginástica Aeróbica. Uma comunidade quase
que extinta (são pouquíssimos os núcleos de treinamento no
país), mas que possui uma garra sem fim! Atletas que iniciam
suas carreiras com uma idade até que relativamente avançada
(diante das outras ginásticas, por exemplo) e que alcançam
grandes resultados em suas carreiras. E isso não quer dizer
que Ginástica Aeróbica Esportiva (GAE) é um esporte fácil,
ou para os ‘aposentados’ da Ginástica Artística por
exemplo. Bem ao contrário, a GAE tem características próprias,
bem peculiares e que exigem dos atletas muitas sessões de
treino técnico (tão desgastantes quanto as da Gin. Artística),
um preparo físico criterioso, isso sem falar ainda na
simpatia e beleza plástica que têm de ostentar afim de
impressionar árbitros e empolgar a platéia.
Mas....
a cada dia que passa, apesar de todos os resultados positivos
que alcançamos lá fora nas competições internacionais,
vemos a ginástica aeróbica acabar dia após dia por aqui.
Atletas que abandonam suas brilhantes carreiras (afinal, eles
também precisam levar suas vidas e para isso se não tem
grandes patrocinadores, precisam se dedicar ao trabalho), e
atletas que partem para a vida em outro país (quando têm
condições para isso) que valorize mais o esporte. Em geral
passam a atuar como técnicos (graças aos títulos alcançados
ainda quando atletas).
O
‘Ginásticas.com’ não quer apenas lamentar a situação
da Ginástica Aeróbica no Brasil. Pelo contrário, trazemos
nesta edição, uma super entrevista com o atual campeão
brasileiro de Aeróbica Thiago Ferreira! Um grande exemplo de
garra na aeróbica! E esperamos sensibilizar os grandes
responsáveis e potenciais colaboradores desse esporte no
sentido de fornecer maior apoio!
O ‘Tigolino’, ‘Tigo’ ou
simplesmente ‘Thi’ chama-se na verdade Thiago Luiz Ferreira. ‘Carioca da gema’ como se auto-intitula, nasceu
em 22 de março de 1983 no Rio de Janeiro e está na ginástica
a quase 5 anos apenas. Tempo mais que suficiente para que ele
conquistasse diversos tít ulos, dentre os quais: Campeão
Brasileiro Individual Juvenil pela IAF, Campeão Carioca
Juvenil pela FIG, sexto colocado no Mundial Individual Juvenil
ANAC em Los Angeles, Campeão Brasileiro Adulto em Dupla FIG,
Campeão Brasileiro Adulto em Trio FIG, Quarto colocado no Pan
Americano em Dupla FIG. Também já se classificou diversas
vezes pra mundiais nas modalidades individual, dupla e trio.
Em 2003 sagrou-se Campeão Brasileiro Individual, Campeão
Carioca Individual e Dupla e se classificou em primeiro lugar
na modalidade Individual para o Mundial do Japão IAF. Mas
ainda está à procura de patrocínio para poder representar o
Brasil nessa competição. Já contabiliza mais de 7 troféus
além de cerca de 20 medalhas. Nada mau para quem começou no
esporte aos 16 e hoje tem 20 anos.
Tudo começou quando Thiago ainda
fazia Capoeira, e seu mestre o apresentou para um professor de
Ginástica Artística, para que aprendesse melhor os saltos
(saltos mortais). Com um mês de aulas de ginástica, seu técnico
o levou para assistir um treino de aeróbica... o resultado não
podia ser outro: “Eu amei, e até hoje é a minha
vida!!!”, diz Thiago.
As aulas de aeróbica iniciaram na
academia Akxe na Barra da Tijuca, e logo depois passou a
treinar no Clube de Regatas do Vasco da Gama.
Thiago
revela que ficou inicialmente fascinado pela empolgação dos
atletas que domina as rotinas de aeróbica. Logo percebeu que
é também um esporte extremamente complexo, que exige do
atleta todos os atributos imagináveis: força estática, dinâmica,
flexibilidade, explosão, expressão corporal, carisma...
enfim: um esporte bastante completo!
Este ariano que tem 1,78m de altura
e 75 kg, estuda hoje o sexto período do curso de Direito na
PUC-Rio. Adora papear com os amigos e rir bastante. Assunto
favorito: aeróbica claro! E graças a este esporte, já
esteve nos Estados Unidos, Chile e Argentina.
Apesar de treinar no Vasco da Gama,
Thiago não é patrocinado pelo clube. Recebe apenas o apoio
da academia Rio Sport Center, na Barra com toda a parte física,
de musculação.
Seu técnico é o Luiz Ramiro Lima
e seu preparador físico é o Alessandro. Seus treinos duram
cerca de cinco horas por dia, sempre de segunda a sábado.
Rotina esta que pode ainda sofrer alguma alteração em
virtude da proximidade de algum campeonato. Férias? Só se não
houver nenhuma competição em vista tão cedo.
Thiago descreve seu local de
treinamento: “Meu local de treinamento é extremamente precário,
nada apropriado ao esporte. Treinamos em um chão de concreto,
o que causa diversas lesões (punho, joelho... articulações
em geral), pelo fato de o esporte ser de alto impacto. Não
possuímos um aparelho de som adequado, e o que possuímos,
foi provido por nós mesmos, e não pelo clube. Quando chove,
nossa sala de treino alaga, fica com várias poças.... o que
já me fez cair várias vezes... Enfim, nada
adequado...”.

Esta é a dura realidade de um
esporte amador. Thiago fala ainda sobre outras dificuldades:
“As principais dificuldades são as inerentes ao descaso
sofrido pela Ginástica Aeróbica no Brasil - o que é
extremamente contraditório à força que o país possui na
modalidade. Vivemos em um país com um enorme potencial de
atletas, em diversos esportes.... esses atletas são colocados
totalmente a mercê, em sua grande parte, por não integrarem
os esportes “famosos”... vivemos no país do futebol... e,
infelizmente, atletas que não são desse esporte sofrem
muito... É o caso dos atletas de aeróbica... As dificuldades
vão desde local de treino, solo não apropriado, que ocasiona
diversas lesões até a principal das dificuldades: PATROCÍNIO!
É extremamente frustrante treinar, se dedicar integralmente
ao esporte, comprometer diversos outros aspectos da sua vida,
e não ter patrocínio para representar seu país em
campeonatos mundiais... É absurda essa situação.... em
outros países, com menos potencial que o Brasil em Aeróbica,
os atletas recebem salários até mesmo para treinar!”.
Nem mesmo em casa Thiago recebe
grandes incentivos: “... meus pais nunca apoiaram eu fazer
Aeróbica. Sempre foram muito preocupados com o meu futuro e
sempre falam que Aeróbica não vai me levar a lugar algum...
Todo o apoio que tive até hoje foi meu mesmo, de alguns
amigos e técnicos”.
Competindo hoje na categoria
adulta, Thiago fala sobre sua atual série: “Eu estou
procurando uma nova música para minha série, tenho que mudar
de música no individual para competir no mundial do Japão.
Na dupla a música da rotina nova é House of Joy”.
Como não poderia deixar de ser, a
grande musa inspiradora no esporte no início de sua carreira
foi Isamara Secati (ex-atleta do SPFC). Atualmente admira
muitos outros atletas, e com uma grande vantagem: “eu
convivo com eles... não é uma relação ‘platônica’!”.
Questionado sobre a existência de
união entre os atletas na aeróbica, ele fala: “O
sentimento de concorrência é de fato grande... Mas entre os atletas
o clima é de amizade. Todo campeonato é uma festa quando
todos se encontram.... e na própria competição, todos
torcem por todos... é um clima muito bom! Porém, como em
todo esporte, ocorre muita politicagem, ‘crocodilagem’ na
aeróbica... o que é no mínimo muito frustrante. Muitas
vezes, a tradição e o nome são mais importantes que a
competição em si.... e isso sim eu acho que deveria
mudar!”.
Thiago não passa por nenhum
acompanhamento rotineiro de uma equipe multidisciplinar
com pscicólogos, fisioterapeutas ou nutricionistas.
Eventualmente consulta este último, ou quando sofre alguma
lesão submete-se a algum fisioterapeuta, por exemplo. Dramas
da falta do dinheiro no esporte.
Mesmo não tendo uma nutricionista
de plantão, o próprio Thiago faz sua dieta: “Minha
alimentação é bastante regrada em temporada de competição.
Não como açúcar nem gordura... o que é extremamente
contraditório ao meu gosto para comida... principalmente
porque eu adoro comer doce!!!”.
O ano de 2003 é considerado o
melhor ano para Thiago Ferreira. Ganhou todas as competições
que participou na categoria Individual, classificou-se para o
mundial no Japão... um ano de realizações. Agora, batalha
na busca por um patrocínio para poder participar deste evento
(mundial), além de estar buscando a classificação para o
campeonato mundial da FIG tanto na categoria individual quanto
dupla (antes com a Marília Lorena, e agora com a Patrícia
Galvão).
Sobre as Olimpíadas 2004, Thigo
lembra que a aeróbica ainda não é um esporte olímpico.
“Alegam que ela comprometeria o tempo das outras ginásticas...
– mais uma vez puro tradicionalismo! Mas eu creio que por
pouco tempo... Nas últimas olimpíadas já teve a apresentação
do trio do Brasil, que era Campeão Mundial. Tudo nos leva a
crer que em breve a Aeróbica será um esporte Olímpico.
Como grande trunfo para se alcançar
o sucesso e tantas realizações, Thiago destaca a força de
vontade, a garra, a determinação: “eu sou um atleta que
iniciei sem nenhuma base e tive que treinar muito pra chegar
onde estou. Sou muito orgulhoso disso. A receita é força de
vontade, é você querer algo e lutar muito para alcançar!”.
A mensagem de Thiago aos ginastas do
Brasil: “Nunca desistam, mesmo que as adversidades e os obstáculos
no nosso país no que se relaciona à ginástica sejam
tantos... Sejam perseverantes, pois só desse modo alcançaremos
a vitória, que seria o reconhecimento (mais do que merecido)
do esporte e da nossa condição de atletas do mesmo".
Aos dirigentes do esporte, ele também
deixa seu recado: “Lutem cada vez mais para divulgar o nome
da Aeróbica e elevar o esporte, pois sabe-se que o Brasil
possui um enorme potencial que não pode de modo algum ser
desperdiçado”.
É isso aí Thiago! Esperamos que você consiga
logo o um patrocínio para representar o Brasil no Mundial do
Japão e claro, trazer mais um importante título!!! Boa
sorte!
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