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Artigo
08 - Série Flexibilidade - A Importância do Aquecimento
Por
Denis
Ribeiro Patrocinio - Ginásticas.com - Pós-graduado
em Fisiologia do Exercício - UNIFESP; Licenciado em
Educação Física - FIG.
Neste
primeiro artigo da 'Série Flexibilidade', o tema abordado
será o 'Aquecimento'. Não são poucas as pessoas que
ignoram ou executam de maneira incorreta esta importante
fase do treinamento. Visando minimizar/elucidar dúvidas e
mitos acerca do Aquecimento, segue abaixo algumas
orientações sobre o que é, para que serve e como
realizá-lo corretamente.
O
aquecimento é a primeira parte de um treino e tem como
objetivo preparar o atleta tanto fisiologicamente como
psicologicamente para a atividade física. O aquecimento
visa criar alterações importantes no organismo para que
este suporte um treinamento/competição. Ele age
principalmente sobre o sistema cardiorespiratório,
produzindo um aumento da temperatura corporal. O aumento
de temperatura corporal resulta nos seguintes benefícios
(Weineck,1999):
-
aumento
da taxa metabólica;
-
aumento
de fluxo sanguíneo local;
- melhoria
da difusão do oxigênio disponível nos músculos;
- aumento
da quantidade de oxigênio disponível nos músculos;
-
aumento
da velocidade de transmissão do impulso nervoso;
- diminuição
do tempo de relaxamento muscular após contração;
-
aumento
da velocidade e da força da contração muscular;
- melhoria
na coordenação;
- aumento
da capacidade das articulações à suportar carga.
Apesar de todos estes benefícios, é comum confundir o
aquecimento com a melhora da condição física; quando na
verdade são duas coisas bem diferentes. O resultado dessa
fusão enganosa, é um aquecimento excessivo e
prejudicial, além de uma preparação insuficiente.
Como
fora dito, o aquecimento pretende 'pôr em marcha' o pleno
rendimento do organismo, abrangendo tanto a área física,
como a emotiva (interesse, motivação) e a intelectual
(concentração).
Os benefícios
do aquecimento, em sua maioria, fazem reduzir o potencial de lesões, já
que possuem a capacidade de aumentar a coordenação
neuromuscular, retardar a fadiga e tornar os tecidos menos
suscetíveis a danos. Além disso, a concentração
psíquica provocada pelo aquecimento, leva à anulação
de qualquer pensamento prejudicial.
Tecnicamente, o aquecimento pode ser dividido em duas partes
de acordo com a especificidade da modalidade: geral e
especifico. No aquecimento geral, recomenda-se utilizar
exercícios envolvendo os grandes grupamentos musculares,
aumentando a temperatura corporal. Já no aquecimento
específico, enfatiza-se os exercícios para as articulações
e grupamentos musculares solicitados na parte principal da
sessão de treino.
Alguns
efeitos do aquecimento podem ser influenciados por alguns
aspectos que podemos dividir em:
-
Externos: Tipo de prova a enfrentar:
refere-se às diferenças entre um treinamento e uma
competição;
-
Temperatura ambiente: no inverno, o aquecimento
deverá ser mais amplo, e no verão deve-se evitar a
sudorese excessiva, já que a perda de sais minerais pode
provocar lesões (cãibras). Para
temperaturas ambientes acima de 15oC, utiliza-se
aproximadamente entre 5 a 10 minutos de aquecimento,
podendo ser ultrapassado caso a mesma encontrar-se muito
baixa;
-
Hora do dia: pelo amanhecer, os músculos têm a
sua elasticidade e tonicidade muscular reduzidas, chegando
à sua normalidade por volta do meio-dia, para depois começar
a decrescer novamente;
-
Internos: Nível de experiência. Para os
principiantes, o aquecimento será dirigido pelo
professor, embora este deva evitar a rotina, pois
provocaria a indiferença e monotonia. Quanto maior a
experiência ou nível técnico, este será mais livre ou
individualizado;
-
Idade: Tanto as crianças como os
adolescentes possuem uma maior adaptação muscular ao
esforço e não estão tão expostos aos estiramentos ou
distensões musculares, sendo portanto o aquecimento mais
breve que em pessoas adultas, embora a capacidade de
aprendizagem possa diminuir notavelmente se não se
realiza um aquecimento motivador para as crianças;
- A
personalidade, estado emotivo e caráter: são
aspectos a ter em conta na hora de individualizar o
aquecimento.
Portanto, não
é estranho observar a variação dos métodos de
aquecimento, duração e intensidade em função das características
anteriormente apontadas.
Devemos
conhecer as características básicas do aquecimento como
prevenção de lesões musculares, tendinosas e ligamentares,
ao mesmo tempo que favorecemos a prática de nossa
atividade. E estas características são:
-O
número de exercícios a serem realizados será amplo e
variado. Passando dos fáceis aos de média dificuldade de
forma progressiva;
-
As repetições serão pouco numerosas, oscilando dentro de
uma dezena como máximo;
-
O ritmo cardíaco não deverá exceder 120 batimentos por
minuto;
-
O início deve ser com exercícios que favoreçam um
rápido aumento da temperatura corporal (trote, corrida,
deslocamentos...) e depois continuará com os exercícios
específicos da modalidade;
-
Existe um período de soltura ou descanso ativo, entre o
aquecimento e o treinamento, esta fase deve ser
privilegiada em fase de competição;
- E
atualmente, permite-se grande uso de exercícios de
alongamento dentro do aquecimento.
Os exercícios de alongamento são utilizados durante
o aquecimento como forma de otimização do sistema
neuromuscular, porém estes são menos eficientes para
produzir calor, ou seja, aumentar a temperatura corporal.
Recomenda-se então sua realização após a fase geral do
aquecimento, pois a temperatura muscular aumentada melhora
a extensibilidade e a deformação dos componentes plásticos,
diminuindo o risco de lesões. Na opção de sua realização
durante a fase inicial do aquecimento, o alongamento
deveria então ser mais cauteloso, estático e com
reduzida tensão muscular. A utilização destes exercícios
com grandes amplitudes chamado também de flexibilidade,
pode prejudicar o rendimento na fase principal da sessão
ou na competição devido a uma fadiga ou excitação
excessiva do fuso muscular (proprioceptor que detecta o
grau de estiramento no músculo).
Mas isso já é assunto para um outro artigo.... :)
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