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Artigo
03 - Como
superar o medo de executar movimentos difíceis
"
Ser perseverante é o segredo para alcançar o seu objetivo
"
A Ginástica
Olímpica de Competição pode ser extremamente exigente
mentalmente e fisicamente ao atleta. A dificuldade dos
movimentos que são executados e a alta intensidade dos
treinamentos de um atleta de alto nível indicam o aumento de
machucados no esporte. Essa percepção de risco e incidência
de fraturas compreensíveis podem causar ao ginasta o medo de
se machucar enquanto ele está competindo e/ou aprendendo um
novo movimento. Esse medo pode causar influências
prejudiciais à performance do ginasta e confiança nele
mesmo. A Fundação Americana de Psicologia Esportiva também
percebeu que este medo de fraturas e machucados é uma razão
comum para que ginastas abandonem as competições ou até
mesmo o esporte.
O medo de se machucar existe quando um ginasta perde a confiança
em sua habilidade de realizar com sucesso seus exercícios.
Para realizá-los em altos níveis de competição, o ginasta
precisa aprender a controlar seus sentimentos. Ele precisa ser
mais otimista que pessimista. Esse processo para controlar os
medos pode ser feito usando estratégias psicológicas como
imaginação, relaxamento e uma "conversa" positiva
com si mesmo. Quando está usando esses métodos, o atleta
aprende à se concentrar nas coisas mais relevantes, tais como
sentir-se relaxado e dar o seu melhor, ao invés de se
preocupar com a possibilidade de se machucar. Apenas usar
essas estratégias não garante que o atleta vá se
concentrar, mas elas podem permitir ao atleta aprender a
controlar seus sentimentos e recuperar sua confiança ao
tentar difíceis movimentos. Essas estratégias vêm mostrando
efeitos positivos nas performances dos atletas e podem ser
aplicadas à crianças e adolescentes. A proposta deste texto
é apresentar vários tipos de estratégias psicológicas
usadas por ginastas americanos para superar seus medos.
Método
Foram entrevistadas onze ginastas que participam de competições,
entre 8 e 17 anos (média de 12 anos) de um clube de
treinamento de Ginástica Olímpica nos Estados Unidos. Esse
grupo treina de 4 a 6 dias por semana e participam de competições
promovidas pela Federação de Ginástica dos E.U.A. dos níveis
5 ao 10. Todas as ginastas participaram de um programa
educacional que incluía o aprendizado desses métodos psicológicos
durante um à quatro anos.
Cada ginasta foi entrevistada em particular por um dos autores
desse programa. A entrevista consistiu em perguntas designadas
à descobrir as estratégias usadas por essas garotas para
superar o medo de se machucar. As respostas foram organizadas
em categorias para determinar as estratégias mais usadas.
Resultados
Os resultados revelaram que as ginastas usam uma variedade de
estratégias psicológicas para superar os medos. Todas as
garotas disseram que se sentem confiantes usando alguma forma
de estratégia mental para ganhar controle sobre seus
sentimentos. As duas estratégias populares mais usadas foram
"Just Go for It" e "Superstitions" (ambas
títulos de livros americanos para superar esse medo). A
estratégia "Just Go For It" é uma técnica para os
ginastas evitarem ser pessimistas quanto ao medo de se
machucar. "Thought-Stopping", a técnica usada pelo
livro, é quando o atleta faz um esforço mental para afastar
pensamentos negativos tais como "Eu estou com medo"
ou "Eu não consigo". Quando a atleta aprende a
afastar esses pensamentos, ela pode substituí-los por
pensamentos como "Eu posso fazer isso" e comandar
seu corpo para fazer o movimento.
Contrastando com a estratégia mental de
"thought-stopping", "Superstitions" é
baseado mais no conceito de sorte. Quando uma ginasta é
supersticiosa, ela pode ter certos objetos como um
"colant" ou um prendedor de cabelo para dar à ela
resultados positivos. Superstição não é realmente uma
estratégia, pois a atleta não possui controle sobre ela
mesma, mesmo que ela esteja com um pensamento positivo.
Superstições, quando são usadas não só nas competições,
por exemplo, comer panquecas todas as manhãs, podem ajudar a
atleta a se manter concentrada e relaxada. Mas o risco de usá-las
é que, se por um acaso a atleta esquece seu "objeto de
sorte", ela pode perder a confiança em si mesma, não
tendo como remediar.
O terceiro método mais popular de estratégia usado por estas
ginastas revela a importância do técnico ajudar a ginasta a
superar o medo. As atletas olham para seus técnicos e confiam
quando eles dizem que elas são capazes de executar
determinado movimento. Sem apoio, a ginasta pode começar a
perguntar a si mesma se ela realmente tem capacidade de
executar os movimentos e continuam a temê-los.
A quarta estratégia são técnicas próprias que as ginastas
usam com fundamentos regulares. "Imagery" deixa a
ginasta visualizar passadas e/ou futuras experiências em sua
mente para preparar-se para contornar situações em que ela
sinta medo. Essa estratégia ajuda à atleta a confiar mais
nela mesma e se familiarizar com o movimento.
"Positive self-talk" é uma estratégia usada pelas
garotas para substituir pensamentos negativos com positivos.
Mais que apenas bloquear seus pensamentos negativos, a ginasta
pode se prevenir usando constantemente pensamentos positivos
que ela acha que podem a ajudar pessoalmente (exemplo:
"Eu consigo fazer isso").
"Selective focus and illusion" é uma técnica que
as ginasta usam para convencer elas mesmas que outras pessoas
(ou até ela mesma) já executaram aquele movimento com
sucesso. Usando essa forma de ilusão, a a ginasta está
criando um favorável modo de conseguir sucesso.
Finalmente, "Progressive muscle relaxation" é uma
estratégia de efeito que ensina a atleta a controlar seu físico
durante situações de medo. Estar relaxada dá mais efeito
quando se usa técnicas de respiração, o que ajuda a relaxar
a tensão corporal. A atleta usa o relaxamento para controlar
as respostas físicas em situações de medo e ganha
auto-confiança.
Conclusão
Concluindo, se o ginasta quer superar o medo de se machucar,
seria bom que ele aprendesse técnicas psicológicas.
Essa pesquisa também revelou que os técnicos tem um papel
fundamental em ajudar os ginastas a superar seus medos. As
ginastas entrevistadas confiam em seus técnicos. O apoio
deles faz com que elas melhorem física e mentalmente, além
de derrubar as barreiras do medo de se machucar.
(Créditos:
Eugênia
del Vigna)
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